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sábado, 25 de agosto de 2012

Crónicas de Ânclios : o crítico em nós

De certeza que todos se lembram do período em que Ozzy Osbourne era concorrente habitual do Festival Eurovisão da Canção.
Em meados dos anos 70, numa das mais faladas edições do Festival, ao interpretar a composição de sua autoria “Goodbye to romance”, e num golpe de teatro muito ao seu estilo, decidiu exibir uma ratazana, mordendo-a até esta começar a guinchar. O espectáculo foi interrompido pois temia-se que o animal começasse a sangrar para o chão do palco, havendo o risco de alguém escorregar e cair. Contudo, não foi esta atitude de Ozzy que acabou por desclassificá-lo, mas sim o facto de, a certa altura, os dois elementos femininos dos ABBA terem saído a correr e a gritar dos bastidores, com marcas de dentes no pescoço.
“So tired”, que aqui vos deixo, foi outra das músicas que Ozzy levou à Eurovisão.

domingo, 22 de abril de 2012

Crónicas de Ânclios : o crítico em nós




Desde há algum tempo que se acredita no mito que afirma que os anos 80 produziram a melhor música pop e rock alguma vez ouvida no planeta. É às pessoas que acreditam nesta crença tão consensualmente difundida, que dirijo as próximas palavras, fazendo-lhes ver que houve muito mais por trás daquilo que conhecem, já que existem cenas de extrema violência, que mancham de sangue os registos em vinil que guardamos na nossa memória (ou no armário poeirento onde as aranhas dançam – ainda - ao som dos Modern Talking ). 
Sem mais demoras, o relato que vos trago resume-se ao seguinte: 
Robert Smith, célebre vocalista dos The Cure, convidou Morrissey, na altura vocalista dos celebrados The Smiths, para jantar em sua casa. Como se sabe, Morrissey é vegetariano, e faz questão de se assumir como tal. Sucede que, Robert Smith desconhecia esta faceta do cantor, tendo preparado umas belíssimas costeletas de borrego com batatinhas assadas no forno. Morrissey, ao deparar com tal espectáculo, que considerou de extremo mau gosto, enfiou a cabeça de Robert Smith no forno (aceso), tendo queimado irremediavelmente o couro cabeludo do cantor dos The Cure, que foi obrigado a usar, a partir daquele momento, uma peruca de cabelo tufado que tão bem conhecemos e que ele nunca mais largou, estando até hoje, e apesar da violência que antecedeu esta situação, indirectamente agradecido a Morrissey. Robert Smith, em legítima defesa, ainda teve tempo de dar com uma frigideira na cabeça de Morrissey, que desde aí ficou achatada, tentando-a ainda hoje camuflar, em vão, com a  robusta poupa, que também tão bem conhecemos. Podemos assim concluir que Morrissey se “divorciou” dos The Smiths, devido ao nome da banda lhe lembrar o Robert. Todavia, antes de tomar esta decisão, ainda compôs o conhecidíssimo tema "Meat is Murder", que dispensa comentários ou apresentações.

domingo, 1 de abril de 2012

Crónicas de Ânclios

 
 
Todos os fãs de Black Metal, conhecem a obsessão de King Diamond por pastéis de Belém. É sempre divertido vê-lo, e de acordo com as suas crenças religiosas, a brincar com a canela, desenhando cruzes invertidas no topo do pastel que se prepara para devorar - é bem sabido que consegue comer uma dúzia, sem hesitações. Após o pseudo-final da sua antiga banda, Mercyful Fate - que tal como tantas outras bandas, se reúne de vez em quando para concertos e lançamentos de álbuns feitos em cima do joelho - , deslocou-se a Lisboa, animado pelo lançamento do seu 1º single, "No presents for Christmas", para se deliciar com os pastéis de Belém, comprar o "Necronomicon" num Alfarrabista do Bairro Alto (infelizmente, nunca chegou a encontrar o livro), e comprar uma guitarra em 3ª mão, na Feira da Ladra, para Michael Denner. Este guitarrista, que o acompanha desde sempre, conseguiu demovê-lo de escrever uma ode aos pastéis de nata na letra da música do mencionado single, sugerindo que substituísse os versos "Amália and Marceneiro eating Bethlehem cakes" pela famosa frase "Tom and Jerry, drinking sherry".

domingo, 27 de março de 2011

Crónicas de Ânclios : o crítico em nós


São bem conhecidos os problemas pelos quais Elton John passou, em meados dos anos 80, quando contraiu um síndrome de Beethoven, defendendo que se igualava ao compositor, alegando, inclusive, encontrar-se já num estado avançado de surdez. Durante este período, nenhum dos seus amigos músicos desejava recebê-lo em casa, já que ele tinha adquirido a fama de destruir todos os pianos em que tocava, atacando impetuosamente o teclado, enquanto gritava: “não consigo ouvir nada!”. Entre as vítimas desta destruição, contam-se nomes como: Billy Joel, Liberace, Chris de Burgh, Richard Clayderman, e – talvez o caso mais grave – Ray Manzarek, tendo Elton colocado no máximo a amplificação dos órgãos que este tinha em casa, partindo todos os vidros e porcelanas aí existentes (nomeadamente, uma seringa em cristal, da Swarovski, que lhe fora oferecida por Lou Reed, os azulejos pintados por Andy Wahrol, com a imagem dos Beatles, e o conjunto de cachimbos de água, da Vista Alegre, que herdara de Jim Morrison). Lionel Richie, escapou a esta catástrofe, impedindo a entrada de Elton em sua casa, saudando-o com um lacónico “Hello” e, calmamente, para que ele lhe lesse bem os lábios, disse-lhe: “Actualmente, não trabalho com surdos, mas apenas com artistas invisuais”. Alfred Brendel, András Schiff, Maurizio Pollini, Mitsuko Uchida, Maria João Pires, e tantos outros, ainda hoje se queixam dessa época tenebrosa de Elton John (Paul Badura-Skoda, após a destruição dos seus Steinway e Bosendorfer, decidiu que aquela seria uma boa oportunidade de substituir os pianos modernos por pianos históricos, mudar a fechadura da porta e arranjar um Pit Bull – o mesmo fizeram outros amigos de Elton, pianistas de profissão, dando assim origem à corrente interpretativa em pianos da época, de que Jos van Immerseel é um bom exemplo).

sábado, 26 de março de 2011

Crónicas de Ânclios - o crítico em nós



Em Maio de 1978, Sid Vicious e Frank Sinatra, jantaram juntos no Four Seasons de Nova Iorque. Foi durante este bem conhecido jantar que Frank insistiu com Sid para que ele gravasse uma versão de "My Way" - algo que Sid recusou educadamente, pois apenas conseguia conceber que existisse a versão de Frank, afirmando que qualquer outra deturparia a composição original. De qualquer modo, em reconhecimento pela amizade que Frank nutria por si, ofereceu-lhe um cinto, da autoria de Vivienne Westwood, ornamentado com diversos alfinetes-de-ama - muito em voga nessa época. Frank, entusiasmado, agradeceu o presente, mas esqueceu-se do mesmo, no restaurante, após se despedir de Sid. Sid, reparando no sucedido, agarrou no cinto e dirigiu-se ao hotel onde Frank se encontrava hospedado. Após bater repetidas vezes à porta do quarto de Frank - sem que este a abrisse - acabou por arrombá-la com um pontapé seco, pois reconhecera, enfurecido, uma voz familiar que vinha lá de dentro. Sid, descobria assim que Frank andava a trocar intimidades com a sua namorada, Nancy. Ao verificar tal coisa, prontamente atingiu Frank na cabeça, com um golpe da fivela do cinto que lhe oferecera, e vingou-se dele realizando, afinal, uma versão muito pessoal de "My Way", que se tornou tão célebre quanto a original. Passadas duas semanas, Malcolm McLaren, ao cruzar-se com Sinatra, em Londres, mais propriamente em Picadilly Circus, reconheceu, no rosto de Frank, a marca da fivela de um cinto que Sid lhe havia roubado da sua loja, em Kings Road, há uns meses atrás.

Crónicas de Ânclios : o crítico em nós



No verão de 1989, Stevie Wonder decidiu ir ao café Brothel's, em Chicago, para se reunir com Diana Ross. Tinha o intuito de trocar algumas ideias com Diana, nomeadamente, se deveria fazer um novo dueto com Paul McCartney. Durante esse encontro, os dois devoraram, copiosamente, torradas com marmelada, enquanto bebiam abatanados, dançando freneticamente, em cima das mesas, ao som de música siciliana. Stevie tropeçou e caíu diversas vezes, mas isso não importava, pois nesse mesmo dia, os Obituary lançavam o seu infame LP "Slowly we rot"

quinta-feira, 28 de outubro de 2010


Nem tudo o que reluz é ouro; nem tudo o que seduz é bom.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010


As melhores surpresas são muitas vezes aquelas em que nos conseguimos surpreender a nós próprios.


O sabor dos teus beijos

misturam o dia e a noite,

a lua e o sol

salpicados por pitadas de sal das estrelas

fonte de desejo

e mil cores e ideias.


Cada dia é como uma rosa, e a cada hora é-lhe arrancada uma pétala... Todavia, o seu perfume subsiste no ar, e é isso que é importante.

domingo, 6 de junho de 2010

sexta-feira, 4 de junho de 2010

No interior da campânula onde temos de viver, é-nos oferecida apenas a luz de algumas estrelas. Felizmente, por vezes, conseguimos abrir uma brecha algures nesta ampola sombria, conhecendo algo mais que, finalmente, nos traz um clarão deslumbrante, fazendo-nos questionar acerca de tanto tempo perdido.

sexta-feira, 28 de maio de 2010


Herzeleide Mortensen pegou nas pétalas caídas no chão do seu quarto e lançou-as pela janela, esperando reencontrar, lá em baixo, os olhos da sua amada, que logo as recolheria quando ainda estas pairavam no ar, conseguindo sempre - e ele nunca soube como - reconstituir a corola da flor, ostentando-a de seguida numa mão triunfante. Sempre foi assim, mas já não o era. Todavia, ao fixar dolorosamente o vazio, verificou que as pétalas haviam desaparecido, dando lugar a uma flor que havia surgido repentinamente na terra húmida, erguendo-se firme, tal como a sua esperança.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Beijos encarcerados nas masmorras da saudade, recitam versos de amor, que enrugam com o passar do tempo, ansiando a liberdade

Podem cá dentro as noites arder, podem lá fora os dias gelar, mas por lágrimas suspenso há um sorriso a vacilar.
Se desejo possuir a tempestade que em ti existe, é porque ela é muito mais do que eu mereço.
A memória incita-nos a voar sobre o Passado, oferecendo-nos asas de Ícaro que nos impedem de lá permanecer e modificar circunstâncias. Porém, a par do que desejaríamos modificar, existem instantes perfeitos e intensos, que se perpetuam no nosso íntimo para o resto da vida... E perguntamos se isso será justo.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

"...às vezes, fazemos amor com os olhos (...)"

"ela fazia de tudo para reduzir
o perpétuo entumescimento do olhar.
cozinhava, esfregava o chão, limpava.
às vezes chegava até a escrever-lhe cartas
que sabia não conseguir enviar. depois
ficava meigamente encostada à dolorosa
intenção do corpo, mergulhada num misterioso
arrebatamento. por vezes parava, muito atenta
ao respirar das coisas enquanto tentava
dominar o medo, tomar uma qualquer decisão.
mas não. perpetuamente fatigada do teatro do mundo,
enlouquecia sabiamente na mansidão desse olhar."

ML

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Balada do Cavaleiro Apócrifo

Artur, recomposto, suspira, ao presenciar o nascimento de um novo dia.

Artur, brinca nos prados, nos montes, entre urzes e madressilvas.

Brinca solitário, lutando contra opositores invisíveis que lhe obedecem fielmente. A espada é de madeira mas a vontade é de ferro.

Artur, atormenta os rebanhos, afugenta os cães vadios, atraiçoa as libélulas.

Em manobras de diversão, engana exércitos, enxota cavaleiros perdidos, aniquila reis, figuras de mito que, com um único golpe, relega novamente para a miséria de uma sepultura cavada no conforto do passado.

Até que um dia, ao repousar sobre as raízes de um olmo, remexendo a terra salpicada de folhas caídas, a sua pequena mão encontra uma espada. Uma arma verdadeira, com a qual poderá finalmente dominar o resto do mundo ainda por conquistar.

Com ela, corta em dois o véu das horas, criva a terra de feridas insanáveis, e arma cavaleiros fugidios no tempo que ainda lhe resta.

Apenas uma donzela poderá preencher a última lacuna do seu êxito bélico. E conquista-a ao inimigo num final de tarde em que, distraído, cai sobre a lâmina da sua espada. A donzela não demora a aliviar-lhe a dor, acariciando-lhe os cabelos encanecidos, e fechando-lhe os olhos que já nada viam.

Foi-lhe dado o nome de Artur – nome de rei. E fez juz ao seu nome, pois brincava, desde criança, aos cavaleiros na muralha arruinada, lá em cima, no monte. Lá em cima tudo é diferente: tudo é belo e resplandecente. Os cavalos alados transportam guerreiros até às nuvens de ouro e de prata, e Artur é um deles, que sonhando já estar morto, vive de sonhos e lendas sem contudo viver nada.

Hoje, Artur perdeu a infância, e vive desconsolado, esquecido, abandonado, podre e só, como um segredo bem guardado.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

S/ título

O que me atraiu na escuridão da noite, foi a luz de duas estrelas… Não sei onde foste buscar o brilho que apenas existe nos teus olhos …Olhos que contam tantas histórias, olhos repletos de recordações do futuro, qual um madrigal bucólico que derrete as pedras da rua que transpiram saudade… Saudade… Palavra amarga, que ao ser vingada torna-se ténue e doce.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010